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Arrebitei
Outras nádegas
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sexta-feira, setembro 01, 2006 Marina
Marina acordou ao lado dele no domingo de manhã. Usava uma cueca enorme, larguíssima. Sentia asco do jeito como ele dormia e do jeito desajeitado de se vestir. Não era um homem. Um homem usaria cuecas bem apertadas pra realçar o muito ou o pouco a oferecer. No caso de Carlos, o pouco. Levantou passando com força as mãos nos braços e pernas como se limpasse uma poeira que repousava vinda de algum lugar. Amarrou os cabelos no alto com um prendedor pouco elegante e correu para o banheiro apertando com força o roupão contra o corpo. Olhou-se no espelho e limpou com violência a maquiagem borrada, analisou as marcas no pescoço já pensando em um jeito de disfarçar. Ora idealizava-o como um príncipe, ora como um carrasco e na sua mente utilizava inúmeros xingamentos que o caracterizavam bem. A verdade é que Carlos tinha os defeitos dos dois. A prepotência de um príncipe, a maldade de um carrasco. Parou de pensar bobagens e entrou na banheira. A água estava gelada. Ela nunca conseguia a temperatura ideal. Lembrou-se de quando era criança e ao preparar sozinha o banho queimou parte do pé esquerdo. Carlos a obrigava a colocar sandálias altíssimas e mostrar com orgulho a imensa cicatriz no pé. Ele a ensinava exaustivamente como sustentar um olhar de superioridade quando percebesse em alguém o olhar chocado e curioso. Percebia nos olhos das pessoas a vontade incontrolável que tinham de perguntar "Como aconteceu?". As primeiras vezes em que ouviu frases como essa foi quando conheceu Carlos e ela o odiava por obriga-la a passar por isso. Carlos tinha um objetivo na vida desde que a conhecera. "Vou te tornar uma mulher sem culpas, sem medos, sem preconceitos, sem traumas...". E falava, falava, falava. Era um tremendo idiota. Usava esse discurso com todas as mulheres feias que saía. Para Marina ele era bem maluco. Procurava mágoas em todas as mulheres e tentava ser o psicólogo delas. "Sim, ele é maluco. É isso, não preciso me preocupar com nada". Mergulhou a cabeça na água se esquecendo que não queria molhar os cabelos. Não ouviu quando Carlos entrou no banheiro e olhou para ela com o rosto mais compreensivo do mundo.
UPDATE: Uma coisa me chamou atenção na pesquisa Verbeat. 39% dos entrevistados admitem manter/frequentar blogs em busca de relacionamentos. Eu hein!!! http://www.verbeat.org/pesquisablogosferabrasil/ By Edu Marina pôs-se de pé fora da banheira, obediente e querendo inclinou-se para ela - vulgo, "de quatro" - e com o rosto mais compreenssível do mundo Carlos comeu aquela bundinha.
link | posted by Simy at 12:15 PM |
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